Depois de mais de um ano sem escrever para essa coluna, vendo-me quase como desligado da equipe desse site, diante de inúmeras evidências e fatos relatados por amigos fui obrigado a sair da toca. Eu voltei, para desgosto de tantos e para a alegria de alguns que ainda pensam, usam seu cérebro de forma crítica e inteligente.
Meu foco sempre foi o município de Monte Belo, mesmo residindo fora de lá por tantos anos. Eu havia tomado a decisão de não escrever mais crônicas e pontos de vistas de minha terra natal, mas diante dos últimos relatos recebidos e emails de moradores senti a necessidade de voltar à ativa. Sempre considerei esse município mineiro um caso especial de estranheza, algo além da lógica comum em termos de ocorrências e com tipos folclóricos jamais relatados pela imprensa e literatura brasileira.
Conversando com amigos que residem em Monte Belo e pela Internet via email fui apurando alguns relatos que me impressionaram muito, os quais transcrevo a seguir: o nepotismo tão combatido pela equipe que hoje integra o executivo municipal, foi adotado de forma descarada quando assumiram o poder a ponto do Ministério Público ter que intervir e forçar demissões da “parentaia”; a geração de empregos é um desafio histórico e foi promessa de campanha do prefeito atual que ao assumir loteou a prefeitura de profissionais trazidos de municípios vizinhos; houve perdas de verbas para o município de forma inacreditável: em visita a Belo Horizonte para conseguir recursos para as estradas, os enviados especiais perderam documentos e fotos necessárias para comprovação do pedido; a administração municipal abriu o precedente perigoso de liberar uso do estádio municipal para shows particulares travestidos de auxílio-creche; o lixão continua lá ardendo ao sol sem coleta de chorume e com resíduos contaminando nascentes; duas secretárias de educação, oficial e substituta cuidando das “coisas” do ensino local; a equipe de licitação vai muito bem obrigada, acumulando histórico respeitável para comprovar a velha máxima “um dia a casa cai”; leilão do prédio do ipsemb e construção do novo prédio da câmara a todo vapor, mas um pequeno detalhe vazou: equipe está dividida sobre o esquema. O plano de carreira dos funcionários municipais é um caso a parte e será devidamente detalhado em artigo futuro.
Diante desses relatos que circulam livre pelo boca a boca do povão e através de emails eu lanço as perguntas fundamentais: porque a oposição costuma aderir aos métodos da situação quando assume o poder? Será que o poder desfigura a todos de forma implacável a ponto de confundir nomes e pessoas com o definhamento progressivo da ética? Governar implica em se dar bem sempre não importando os meios para se atingir os fins não confessados em campanha? Incompetência anda junto com omissão quando fatos são conhecidos e nada se faz para corrigir ou evitar sua progressão? É possível se jogar a toalha e empurrar com a barriga tendo como argumento “não vou mais me candidatar e por isso não estou nem ai”?
Caríssimos amigos, acho que não perdi o estilo e essas férias de um ano dessa coluna muito nutriram minha estética literária. Aguardo comentários, como sempre recebo.
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wagner faria
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Segunda-feira, 9 de novembro de 2009 10:40
IP: Confidencial
Bom dia, em resposta a matéria "Eu voltei" relacionada ao município de Monte Belo, gostaria que publicassem a seguinte réplica que segue em anexo, queria realçar ainda que trata-se de uma opinião pessoal.
Grato pela atenção!
Diante de uma de suas perguntas fundamentais, “porque a oposição costuma aderir aos métodos da situação quando assume o poder?” estive a me questionar e cheguei a uma hipótese sobre essa situação que agrava não somente o município de Monte Belo como foi generalizado de forma infantil, mas um grande número de cidades da região sul mineira e do território brasileiro. Para entender a possível alternativa para o ponto de interrogação, faço-lhe outra pergunta que metaforiza o problema questionado, “Porque não podemos levar uma vida de solteiro quando assumimos o compromisso do matrimônio?”, pois bem, não podemos porque como diria Rossault “o meio modifica o homem” ou entre outras palavras, o homem deve obedecer aos critérios que lhe é imposto pelas regras sociais, o homem que foge a essas regras, isto é, aquele que tem por intenção seguir aquilo que acha certo sem se preocupar com o que o circunda é dado como louco ou no mínimo irresponsável. Fazemos parte de um sistema em que não é permitido o isolamento seguido de preceitos próprios, já que querendo ou não somos membros sociais.
Retornando questionamento direcionado pelo autor identificado pelo pseudônimo de “Mister Pam”, exemplifico com a seguinte situação de caráter governamental, que prova mais uma vez, entre outras coisas, que o problema é bem mais amplo do que se imagina.
Quando Fernando Henrique Cardoso ou simplesmente (FHC) conquistou a Presidência da República pela segunda vez, foi interrogado da seguinte maneira: “Na campanha o senhor dizia ser comunista, porque agora no governo, defende a tese de que o capitalismo deve ser adotado?”, a resposta foi a seguinte, “Não posso mudar as circunstâncias que me foram dadas, ao contrário, devo me adaptar a elas”.
Diante deste parecer, firmo a ideia de que o problema não está nessa ou naquela administração, mas sim nos conceitos administrativos que estão engavetados e presos nos arquivos e determinam o meio político, visto que, não se governa da maneira que se deseja, mas sim, da maneira que é imposta por leis, artigos e parágrafos, devemos lembrar que o país é burocrático, é claro que, devemos procurar opções para alcançarmos nossos objetivos, mas o caminho é longo e não permite atalhos.
Adaptar ao contexto é inevitável.




