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MONTE BELO: POBRE CIDADE RICA – POR JOSÉ NARIO

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ORÇAMENTO INFLADO E POPULAÇÃO EMPOBRECIDAAs últimas eleições municipais em Monte Belo ofereceram um espetáculo para quem, como eu, as vi de fora. Uma virada sensacional, cuja magnitude, acredito, não era nem sonhada pela oposição. Acreditava-se, sim, numa vitória, mas não tão expressiva. A vitória não foi surpresa, a diferença de votos, sim!

E essa vitória tão expressiva cria também uma imensa expectativa na população, que clama por mudanças urgentes. E, é óbvio, certamente vai cobrar resultados positivos em pouco tempo. Mas é bom que se observem alguns dados numéricos sobre a cidade. São números assustadores, que dão uma idéia do tamanho do problema que a nova administração vai encontrar. Sabe-se que os números não mentem. Ao contrário, podem contribuir grandemente para a compreensão e elucidação de problemas.

Com um dos maiores orçamentos da região, a cidade é também um dos municípios que apresentam maiores índices de pobreza. De acordo com números divulgados na imprensa regional (jornal A Folha Regional), o orçamento municipal de 2008 (R$16.944.150,00), dinheiro arrecadado e gasto pela administração durante o ano passado, foi muito próximo ao de Muzambinho (R$17.770.000,00), cidade com uma população cerca de 40% maior.

O orçamento de Monte Belo ainda supera em muito todas as outras cidades da região com populações semelhantes. Veja os números, em milhões de reais, conforme foi publicado no jornal “A Folha Regional”, edição 867 de 26 de janeiro de 2008: Alterosa: R$14.992.000,00; Botelhos: R$13.500.000,00; Nova Resende: R$12.653.494,00; Areado: R$12.151.150,00; Cabo Verde: R$12.000.000,00; Conceição Aparecida: R$9.500.000,00. Supõe-se que, tendo como base o orçamento do município, proporcionalmente Monte Belo seria a mais rica e desenvolvida cidade da região, principalmente nos indicadores sociais.

Paradoxalmente, e até muito surpreendentemente, Monte Belo recebe o maior repasse de recursos destinados ao programa “Bolsa-família” do Governo Federal, dentre esses mesmos municípios, denunciando um alto índice de pobreza ou remuneração abaixo do mínimo estabelecido para grande parte da população. É de conhecimento de todos que os recursos do programa são destinados a famílias pobres. Se os recursos destinados a Monte Belo são os maiores da região, quer dizer que a cidade é a que tem o maior número de famílias pobres.

Observemos os números do Bolsa-família publicados no mesmo jornal (A Folha Regional), na edição 869, de 09 de fevereiro de 2008: Monte Belo: R$679.737,00; Alterosa: R$541.826,00; Botelhos: R$514.653,00; Nova Resende: R$404.614,00; Areado: R$473.943,00; Cabo Verde: R$502.190,00; Conceição Aparecida: R$335.179,00. E atenção: os valores destinados a Monte Belo superam também os de Muzambinho, que recebeu R$628.037,00 do programa federal. Lembrando que esta última tem uma população cerca de quarenta por cento maior e necessidades equivalentes.

Não é preciso pensar muito para fazer as contas e comparar os números. É uma equação cruel e absurda, resultado de anos e anos de política clientelista, que não visa o desenvolvimento da comunidade como um todo. É um desafio imenso para a próxima administração, que herdará uma estrutura administrativa arcaica, desaparelhada e pouco eficiente, fundada no paternalismo, no clientelismo e no corporativismo. Três pragas que assolam o ambiente político do Brasil desde os tempos do coronelismo, dois séculos atrás, minando recursos preciosos e atravancando o desenvolvimento. Está mais do que comprovado que não se promove o progresso com a distribuição de esmolas ou benesses pessoais. Isso só contribui para perpetuar os problemas sociais.

Além disso, Monte Belo tem problemas que só existem em grandes cidades, como pontos de concentração de pobreza e submoradias. Praticamente há trinta anos não se constroem moradias populares na cidade, enquanto municípios vizinhos já o fizeram por duas ou três vezes nesse mesmo período. Ainda hoje se faz coleta de lixo como se fazia há cinqüenta anos, sem o mínimo de critério técnico e sem o esclarecimento da população. E os problemas ambientais são tantos, e cada vez mais presentes, que aqui não há espaço para enumerá-los. Na contramão das demais cidades da micro região, nem mesmo um ginásio poliesportivo decente a cidade possui, sendo que vizinhas muito menores já os têm e abrigam até eventos do esporte regional.

A sazonalidade dos empregos faz aumentar periodicamente a violência dos casos de furtos e assaltos à mão armada e a mendicância, inclusive infantil, durante a entressafra.  Não há como tapar os olhos para não ver a violência social que condena garotos e garotas a pedir esmolas nas ruas e até, eventualmente, conviver com o tráfico de drogas e prostituição nas madrugadas barulhentas da cidade.

Enfim, é um colossal desafio que se resume a três pontos principais e primordiais: aumentar a eficiência da máquina administrativa, incentivar a criação de mais empregos regulares  (sem aumentar a folha de pagamentos da Prefeitura) e reduzir a pobreza.